O Todo - Um conceito de Deus

Os hermetistas pensam e ensinam que o TODO - DEUS - em si mesmo é e sempre será incognoscível. Eles consideram todas as teorias, conjecturas e especulações a respeito da natureza íntima do TODO como esforços infantis das mentes finitas para compreender o segredo do infinito, e que tais esforços são totalmente inúteis.

Seriam ainda mais presunçosos aqueles que atribuem ao TODO personalidade, qualidades e propriedades, e querem que o TODO tenha emoções, sensações e outras características que estão bem próximas das pequenas "qualidades" do gênero humano, tais como a inveja, o desejo de lisonja e louvores, desejos de oferendas e adorações, e todos os outros atributos que sobrevivem desde a infância da raça humana. Tais idéias não são dignas de pessoas maduras e que conseguem pensar...

Mas, conquanto a natureza essencial do TODO seja incognoscível, existem certas verdades conexas com sua existência que a mente humana foi obrigada a aceitar. Afirma o Caibalion:

A razão humana, cujos testemunhos devemos aceitar ao raciocinar sobre alguma coisa, nos diz o seguinte a respeito do TODO, mas sem pretender levantar o véu do incognoscível:

O TODO sendo infinito, absoluto, eterno e imutável, segue-se que tudo que é finito, passageiro, condicional e mutável não é o TODO. Não fiquem espantados: há uma reconciliação para o aparente estado contraditório atual do assunto.

Vemos ao redor de nós que aquilo que chamamos matéria constitui o princípio de todas as formas. Será o TODO simplesmente matéria? Absolutamente não! A matéria, por si só, não pode manifestar vida e mente, e como vida e mente são manifestas no universo, o TODO não pode ser matéria porque nada há fora do TODO e há alguma coisa fora da matéria: a vida e a mente.

Então o TODO é simplesmente energia? Não, porque energia é uma coisa cega e mecânica, privada de vida e mente. E assim, o TODO não pode ser simplesmente energia porque, se assim fosse, não teriam existência a vida e a mente, e nós sabemos muito bem que elas existem, porque nós mesmos temos vida e estamos empregando a mente para considerar esta questão.

Que é, pois, o TODO? O TODO é vida e mente. O TODO é a mente vivente, muito acima do que nós mortais conhecemos por essas palavras, como a vida e a mente são superiores à matéria e à energia; o TODO é a infinita mente vivente! Mas, que é, pois, o universo, se não o TODO separando a si mesmo em fragmentos? Que outra coisa poderá ser? De que coisa poderá ser feito? Esta é a grande questão. Examinemo-la bem, com o auxílio do princípio hermético da correspondência, que afirma: "o que está em cima é como o que está embaixo, e o que está embaixo é como o que está em cima". Examinando de que modo o homem cria, talvez possamos imaginar de que modo o TODO cria...

No seu próprio plano de existência, como cria o homem? Primeiramente, ele pode criar fazendo alguma coisa de materiais exteriores a si, transformando materiais já existentes. Mas assim não pode ser para o TODO, porque não há materiais exteriores ao TODO, com os quais ele possa criar. Em segundo lugar, o homem procria ou reproduz a sua espécie por meio da transformação de uma parte da sua substância na da sua prole. Mas assim também não pode ser para o TODO, porque o TODO não pode multiplicar ou transferir uma parte de si mesmo porque, nesse caso, haveria uma multiplicação ou adição do TODO e, idéia totalmente absurda, o TODO não seria mais o TODO.

Não há, então, nenhum outro meio pelo qual o homem cria? Sim, há: ele cria mentalmente! E deste modo, como o TODO, não emprega materiais exteriores a si mesmo, nem reproduz a si mesmo, e , apesar disso, o seu espírito penetra a Criação Mental.

Em virtude disso, temos razão para considerar que o TODO cria mentalmente o universo, de um modo semelhante ao processo pelo qual o homem cria as imagens mentais. Este é o testemunho da razão, que concorda perfeitamente com o testemunho dos Iluminados, como eles transmitem nos seus ensinos e escritos. Assim são os ensinamentos do Sábio. Tal era a doutrina de Hermes Trismegisto.

O TODO não pode criar de outro modo senão mentalmente, sem empregar qualquer material (nada há para ser empregado), e nem reproduzir a si mesmo (o que também é impossível). Não se pode escapar desta conclusão da Razão. Justamente como nós podemos criar um universo de nós mesmos na nossa mentalidade, assim o TODO cria o universo na sua própria mente. Mas o nosso universo é criação mental de uma mente ínfima, enquanto o do TODO é criação de uma mente infinita. Ambos são análogos em natureza, mas infinitamente diferentes em grau.

Concluindo o assunto, precisamos fixar nossas mentes na seguinte frase: "o universo, e tudo o que ele contém, é uma criação mental do TODO. Com efeito, o TODO é mente!".

A respeito do assunto, afirma o Caibalion:

Adaptado do livro O Caibalion, da Editora Pensamento

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